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RAMA participa da 3ª Reunião do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos

  • há 29 minutos
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Encontro reuniu Ministério Público, pesquisadores, movimentos sociais e organizações da sociedade civil para discutir estratégias de enfrentamento aos impactos dos agrotóxicos sobre a saúde, o meio ambiente e os direitos das populações atingidas.

São Luís (MA) sediou, nos dias 3 e 4 de agosto, a 3ª Reunião da Coordenação Ampliada do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos (FNCIAT). Realizado no Auditório do Centro Cultural e Administrativo do Ministério Público do Estado do Maranhão (MPMA), estiveram presentes representantes do Ministério Público, instituições de pesquisa, universidades, movimentos sociais e organizações da sociedade civil para fortalecer a articulação nacional de enfrentamento aos impactos dos agrotóxicos, com destaque para a pulverização aérea.


A agenda foi iniciada no dia 3 de agosto, quando integrantes do fórum realizaram visitas institucionais, como na comunidade Vila Maranhão, atingida por veneno pela Vale, e reuniões nos órgãos de estado junto a organizações parceiras para discutir estratégias de incidência e cooperação entre os diferentes atores envolvidos no enfrentamento aos impactos dos agrotóxicos.


A programação do dia 4 foi aberta com uma mesa institucional composta por representantes do Ministério Público do Maranhão (MPMA), Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do Trabalho (MPT), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da coordenação nacional do Fórum. Em seguida, a mesa temática "Os Impactos da Pulverização Aérea à Saúde, ao Meio Ambiente e às Populações nos Territórios" reuniu pesquisadores, lideranças comunitárias e movimentos sociais para discutir medidas de enfrentamento aos danos provocados pelos agrotóxicos no Maranhão e em outras regiões do país.



Representando a Rede de Agroecologia do Maranhão (RAMA), Ariana Gomes destacou a importância da atuação integrada entre movimentos sociais, instituições públicas e sistema de justiça no enfrentamento às violações provocadas pela pulverização aérea. No Maranhão, somente no primeiro semestre de 2026 foram registradas 255 notificações de pulverização aérea, atingindo 209 comunidades em 33 municípios maranhenses. Desde 2024, o número de casos registrados chega a 608 ocorrências


Lenora Rodrigues, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), também apresentou as estratégias desenvolvidas pela entidade para o acompanhamento e enfrentamento dos casos de contaminação por agrotóxicos nos territórios rurais.



Os relatos das comunidades atingidas marcaram a programação da manhã. As lideranças quilombolas Marli Borges e Raimunda Nonata, das comunidades Guerreiro e Cocalinho, em Parnarama (MA), denunciaram os impactos da pulverização aérea sobre os modos de vida locais. Entre os problemas relatados estão a perda de espécies nativas do Cerrado, a contaminação da água, prejuízos à produção agrícola e o aumento de problemas de saúde, especialmente doenças de pele e respiratórias.


"Nós do campo não sabemos viver de outra maneira, só sabemos viver do nosso território, das nossas matas e da nossa produção. A pulverização aérea destrói tudo: as frutas, as plantas, a roça, a água e até o ar que respiramos", afirmou Marli Borges durante o encontro.


Durante o debate, a geógrafa Larissa Bombardi, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), apresentou um panorama sobre o uso de agrotóxicos no Brasil e destacou que sete dos dez ingredientes ativos mais comercializados no país são proibidos na União Europeia por seus riscos à saúde humana e ao meio ambiente. A pesquisadora também chamou atenção para o crescimento do uso do fungicida Mancozebe no Maranhão, substância banida na Europa desde 2021, e alertou para os impactos associados à exposição contínua aos agrotóxicos.


A programação da tarde foi dedicada aos informes da Coordenação-Geral e da Secretaria Executiva do Fórum Nacional, atualizações das coordenadorias temáticas e das entidades parceiras, além da troca de experiências entre os fóruns estaduais e regionais. O encontro foi encerrado com a definição de encaminhamentos para fortalecer a atuação articulada entre instituições públicas, organizações da sociedade civil e movimentos sociais na defesa da saúde, do meio ambiente e dos direitos das populações afetadas pelos agrotóxicos.


Para saber mais sobre os dados dos agrotóxicos no Maranhão acesse Balanço do 1º Semestre de 2026 sobre Comunidades Atingidas por Agrotóxicos no Estado do Maranhão


 
 
 
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