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Reunião ampliada da RAMA reafirma defesa dos territórios e fortalece agenda agroecológica no Maranhão

  • há 3 horas
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Nos dias 22, 23 e 24 de junho, no Sindicato dos Bancários, em São Luís, a Rede de Agroecologia do Maranhão, RAMA, realizou sua reunião ampliada com a participação de representantes das organizações de base que constroem a Rede em diferentes territórios do estado. O encontro foi um espaço de escuta, avaliação e decisão política, voltado ao acompanhamento de projetos, à partilha de aprendizados e à construção de estratégias diante das ameaças que seguem avançando sobre os territórios maranhenses.


Ao longo dos três dias, as organizações levaram para o centro do debate as vozes de suas comunidades, os resultados do trabalho em curso, os desafios enfrentados e os caminhos que precisam ser fortalecidos. Foram elas que apresentaram as demandas vivas dos territórios, contribuíram nas discussões, deliberaram sobre prioridades e ajudaram a construir os encaminhamentos coletivos que seguem orientando a atuação da RAMA. Esse movimento é parte do sentido mais profundo da Rede: são as organizações de base que fazem a RAMA caminhar, que trazem as pautas do chão da comunidade para o espaço da articulação e que depois levam de volta para suas bases os resultados das discussões, os acúmulos políticos e os encaminhamentos construídos coletivamente.


Entre os temas centrais do encontro estiveram a concentração fundiária, o avanço do agronegócio sobre os territórios, as violações de direitos humanos contra povos indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco babaçu e demais comunidades do campo, e a intensificação do uso de agrotóxicos como instrumento de violência contra populações e ecossistemas. Também entraram em debate a regularização fundiária com prioridade para os povos e comunidades tradicionais, o fortalecimento da agroecologia como projeto político para o Maranhão, a necessidade de ampliar ações de incidência em leis municipais e estaduais, o acompanhamento de ações civis públicas, o monitoramento de conflitos socioambientais e o enfrentamento à guerra química que continua a escalar no estado.


A reunião também foi momento de monitoramento e avaliação do Projeto: Territórios de Resistências, pelo Babaçu Livre e Contra os Agrotóxicos, realizado com apoio do Fundo Babaçu, reafirmando a importância das ações de base na defesa dos territórios, no enfrentamento aos agrotóxicos e na proteção das mulheres, das comunidades e das formas de vida ameaçadas pelo avanço do agronegócio. Nesse processo, a RAMA voltou a afirmar que a agroecologia não pode ser reduzida à lógica do mercado, nem submetida à financeirização da natureza, inclusive por meio de projetos de crédito de carbono impostos aos territórios sem diálogo real com as comunidades. A defesa da vida, dos bens comuns e da autonomia dos povos segue sendo o centro dessa construção política.


Entre os encaminhamentos, a RAMA também avançou na realização da oficina de protocolos de proteção, autocuidado e cuidado coletivo, fortalecendo as estratégias comunitárias de defesa da vida e das lideranças que sustentam a luta nos territórios. A Rede também reafirmou frentes importantes como a luta pelo Babaçu Livre, a mobilização comunitária, a defesa dos territórios e o fortalecimento das cadeias locais de produção, beneficiamento e comercialização.


Como fruto desse processo, a Rede apresentou a Plataforma de Propostas Agroecológica para o Maranhão, documento que reúne proposições voltadas à reforma agrária, regularização fundiária, agroecologia, proteção dos territórios, educação, pesquisa, sementes crioulas, mercados institucionais e justiça socioambiental. O documento afirma que é preciso colocar territórios e maretórios no centro das políticas públicas, formulação registrada no próprio texto da plataforma, e defende uma mudança estrutural no modelo de desenvolvimento do estado. O texto completo segue em anexo a esta publicação, como parte da estratégia da RAMA de dialogar com os territórios e com a sociedade maranhense sobre os caminhos da agroecologia.


No encontro, a plataforma foi entregue a pré-candidaturas e lideranças políticas presentes, que assinaram o documento e assumiram compromisso público com as propostas apresentadas pela Rede, em sintonia com a campanha Agroecologia nas Eleições 2026, da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA). Participaram desse momento Felipe Camarão, vice-governador do Maranhão e pré-candidato ao governo do estado pelo PT; Antônia Cariongo, pré-candidata pelo PSOL; Carlos Lula, deputado estadual e pré-candidato pelo PSB; Júlio Mendonça, deputado estadual e pré-candidato pelo PCdoB; Saulo Arcangeli, pré-candidato ao governo do Maranhão pelo PSTU; e Paulo Romão, pré-candidato a deputado estadual pelo PT.


A entrega da plataforma dialoga com o esforço de ampliar a presença da agroecologia no debate eleitoral de 2026 e reforça o papel da RAMA como sujeito político coletivo no Maranhão. Mais do que apresentar reivindicações, a Rede afirma um projeto de sociedade ancorado na defesa dos territórios, na soberania alimentar, na valorização dos saberes ancestrais e na construção de políticas públicas comprometidas com justiça social e ambiental. O documento completo, Plataforma de Propostas Agroecológica para o Maranhão, segue em anexo a esta publicação para leitura e download.



 
 
 

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