Maranhão registra 262 notificações de pulverização de agrotóxicos até setembro de 2026
Atualização do Mapa do Veneno reúne relatos de 219 comunidades em 37 municípios entre janeiro e setembro de 2026
A Rede de Agroecologia do Maranhão (RAMA), em parceria com a FETAEMA e o LEPENG/UFMA, divulga a atualização do Mapa do Veneno, com registros de pulverização de agrotóxicos no Maranhão entre janeiro e agosto de 2026.
A nova base reúne 262 notificações, envolvendo 219 comunidades de 37 municípios. Desse total, 43 são reincidências: ataques que voltaram a atingir comunidades já notificadas anteriormente.
Os dados mostram que a pulverização não ocorre de forma isolada. Ela retorna aos mesmos territórios, alcança comunidades tradicionais e camponesas e ameaça pessoas, águas, roçados, quintais produtivos e formas de vida.
Novas comunidades no mapa
A atualização incorpora dez novas comunidades, distribuídas em quatro municípios:
Bom Jesus das Selvas: Vila Água Amarela.
Esperantinópolis: Anajá, Jiquiri, Lago do Sisgismundo, Potó, São José do Jiquiri e São Raimundo do Jiquiri.
Sucupira do Riachão: Morro Vermelho e Santa Luz.
Urbano Santos: Cajazeiras.
Com essas novas entradas, o Mapa do Veneno passa a registrar 219 comunidades em 37 municípios.
Destaques de agosto
Entre os registros incorporados em agosto está Cajazeiras, em Urbano Santos. Moradores relataram pulverização de agrotóxicos nas proximidades de um riacho utilizado pela comunidade. Após a exposição, foram relatados falta de ar e dificuldade para respirar. Pessoas idosas também teriam sido expostas ao veneno.
Em Sapucaia, no município de Vila Nova dos Martírios, o registro corresponde a uma reincidência. A comunidade sofre há anos com os impactos da expansão das plantações de eucalipto e com os conflitos relacionados à atuação da empresa Suzano. O caso mostra como o veneno retorna aos mesmos territórios, agravando situações de pressão e ameaça já existentes.

Casos emblemáticos
A entrada de Morro Vermelho e Santa Luz, em Sucupira do Riachão, também chama atenção. As comunidades vêm denunciando desmatamento, derrubada de palmeiras de coco babaçu, desvio de cursos naturais de água, danos à produção da agricultura familiar, intimidações e impactos da pulverização aérea de agrotóxicos.
Os relatos também apontam destruição de plantios, incêndios e derrubada de babaçuais. A situação evidencia que a violência contra os territórios não se limita à aplicação do veneno. Ela atinge as condições materiais que garantem a permanência das famílias e a continuidade de seus modos de vida.
Riscos à saúde, ambiente e alimentação
Os relatos reunidos no Mapa do Veneno apontam para consequências recorrentes da pulverização: falta de ar, dificuldade para respirar, dores de cabeça, náuseas, irritações, mal-estar e outros sintomas após a exposição.
Os impactos não atingem apenas os corpos. O veneno também ameaça rios, riachos, nascentes, quintais, roçados, animais, plantas medicinais e áreas de produção de alimentos.
Quando a pulverização contamina o ambiente e afeta a agricultura familiar, ela também ameaça a alimentação e a segurança alimentar das comunidades. O que está em risco é o direito de plantar, colher, alimentar-se sem veneno e viver em um território protegido.
Drones fantasmas
A pulverização aérea com drones amplia a chamada guerra química nos territórios. Por serem menores e mais difíceis de identificar, esses equipamentos podem operar de forma discreta, inclusive à noite e nos fins de semana, dificultando os flagrantes e a responsabilização.
Os chamados drones fantasmas são utilizados de forma clandestina ou irregular, sem transparência sobre operadores, produtos aplicados e áreas atingidas. Em vez de instrumentos submetidos ao controle público, tornam-se ferramentas de intimidação e pressão contra comunidades tradicionais e agricultores familiares.
Exigências
A RAMA, a FETAEMA e o LEPENG/UFMA defendem:
investigação imediata das denúncias;
fiscalização efetiva da pulverização aérea e por drones;
responsabilização dos autores e das empresas envolvidas;
proteção das comunidades, das águas e das áreas de produção;
atendimento de saúde às pessoas expostas;
transparência sobre produtos, operadores e áreas pulverizadas;
proibição da pulverização aérea de agrotóxicos no Maranhão.
O Mapa do Veneno é uma ferramenta de denúncia e memória. Cada registro revela uma comunidade que resiste para continuar existindo. Nenhuma família deve ser obrigada a escolher entre abandonar seu território ou viver sob a ameaça do veneno.
Comunidades atingidas
A lista completa das 219 comunidades atingidas em 37 municípios integra esta atualização do Mapa do Veneno.
Monitoramento e dados: RAMA, FETAEMA e LEPENG/UFMA
Textos e análise: Rede de Agroecologia do Maranhão (RAMA)Contato para denúncias: WhatsApp (98) 98522-2988
Por: Rede de Agroecologia do Maranhão (RAMA)
Parceria: FETAEMA e LEPENG-UFMA
Mapa do Veneno



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