top of page

Coalizão realiza Oficina de sistematização de tecnologias sociais com agricultores familiares nos te

Nos dias 17 e 18 de julho, a Associação Agroecológica Tijupá, juntamente com o GEDMMA, realizou uma oficina de sistematização de tecnologias sociais com agricultores familiares dos territórios do Baixo Munim, em Morros/MA. Essa atividade faz parte do projeto da coalizão “Agroecologia para a Proteção das Florestas da Amazônia”.

As populações do campo, periféricas e de comunidades tradicionais são as que mais sofrem com a crise climática. Mas também são os mesmos que possuem as sabedorias e conhecimentos de manejo com a território, de relação de preservação e cuidado com a sociobiodiversidade. Assim, as tecnologias sociais são possibilidades de produção e salvaguarda dos conhecimentos ancestrais, não apenas como forma de mitigação dos danos ao meio ambiente, mas principalmente como possibilidade de existência e de um modo de vida que contrapõe a lógica capitalista de devastação, da mineração e do agronegócio. 

Conhecemos o trabalho da comunidade Patizal, onde Lourival Pereira nos apresentou o acordo socioambiental construído e executado de forma coletiva pelos moradores. Esse acordo estabelece limitações e parâmetros para as queimas de roçado, proíbe a retirada de cobertura vegetal de nascentes, riachos e igarapés, proíbe o desmatamento em áreas de proteção ambiental e promove a criação de um banco de sementes de espécies nativas. 

Lá, Leontina dos Santos também está à frente do Sistema de Quintais Agroflorestais (SAF), responsável pelo plantio e produção de diversos alimentos agroecológicos, como macaxeira, gergelim, laranja, feijão e café, sem o uso de agrotóxicos. Além disso, há um cuidado especial com o solo, o cultivo de mudas e sementes. “Somos os próprios técnicos dos nossos quintais. O SAF envolve tudo, a terra, as plantas, é uma riqueza em alimentação e saúde, em todos os aspectos”, conta.

Da comunidade Timbó, tivemos a oportunidade de conhecer Ivanilce dos Santos, uma meliponicultora que se dedica à criação de abelhas nativas sem ferrão. Atualmente, cerca de 50% da sua renda provém da colheita do mel das abelhas Tiúba.”Quando criamos abelhas, estamos contribuindo para o bem da natureza e para o nosso próprio bem. Quando entro na poliponara, sinto uma paz imensa. Amo fazer isso”, partilha. 

O fortalecimento e a gestão da independência econômica das mulheres também é tecnologia social. Um exemplo disso é a unidade de beneficiamento de produtos agroecológicos para feiras e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), desenvolvido pelas associações de mulheres “Semeando a Resistência” e “Associação de Mulheres Unidas pelo Bem Viver”, das comunidades São João do Rosário e comunidade Bom Jesus, respectivamente. Essas iniciativas promovem o acesso à renda, autonomia das mulheres e o enfrentamento às violências domésticas.

São elas também as guardiãs dos saberes ancestrais. Na comunidade Recurso, no assentamento Rio Pirangi, a dona Maria José fez o resgate da produção de araruta e junça, uma cultura que vem dos mais antigos e que promove acesso à renda por meio da produção da fécula e biscoito. Além disso, tanto a araruta quanto a junça possuem propriedades medicinais. 

Foram dois dias de partilha de conhecimento e luta pelo bem viver nos territórios. A Tecnologia Social é uma expressão da ancestralidade e da memória. São formas de viver que garantirão a sobrevivência do planeta e da sociobiodiversidade. As próximas oficinas serão realizadas nos territórios do município de Açailândia e Bacabal. Acompanhem nossas redes sociais. 

Comentários


bottom of page