Mulheres na Agroecologia diante da COP e da Cúpula dos Povos: quando elas pisam, nasce resistência
- Rama rede de agroecologia
- 1 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Nos dias 28 e 29 de novembro de 2025, a sede da Associação Comunitária de Educação em Saúde e Agricultura (ACESA) se transformou em território de escuta, partilha e enfrentamento.

Agricultoras, comunicadoras populares, militantes e defensoras da vida se reuniram no Seminário de Mulheres da Agroecologia, afirmando com o corpo e a palavra que a agroecologia só existe porque é sustentada pelas mãos e pela coragem das mulheres.
Com o tema “Mulheres na Agroecologia diante da COP e da Cúpula dos Povos”, o encontro colocou no centro do debate o papel político das mulheres dos territórios do campo, da floresta e das águas frente às falsas soluções apresentadas nos grandes eventos climáticos internacionais. Enquanto governos e empresas tentam pintar de verde um modelo que segue destruindo a terra e envenenando comunidades. As mulheres reafirmam que não há justiça climática sem justiça social, sem feminismo e sem agroecologia.
Mulheres que sustentam a vida e a luta

Ao longo dos dois dias, as participantes compartilharam experiências de cuidado com a terra, com a água, com as sementes e com seus corpos. Histórias marcadas por resistência ao avanço do agronegócio, à pulverização aérea de agrotóxicos, à grilagem de terras e à violência contra defensoras de direitos humanos. Histórias que nascem do cotidiano, do roçado, do quintal produtivo, da organização coletiva e da espiritualidade que brota da relação com a natureza.
As discussões reforçaram que as mulheres não são apenas vítimas dos impactos da crise climática. Elas são sujeitas políticas, guardiãs de saberes ancestrais e protagonistas na construção de alternativas concretas para o bem viver. A agroecologia, defendida no seminário, aparece como prática viva, construída no chão dos territórios e em permanente confronto com o modelo do agronegócio, que concentra terra, destrói biomas e espalha veneno.
COP, Cúpula dos Povos e o chão do território
O seminário também foi espaço para refletir sobre a participação das mulheres da agroecologia em arenas internacionais como a COP e a Cúpula dos Povos que neste ano de 2025 aconteceu em Belém. As falas foram firmes ao denunciar a distância entre as decisões tomadas nos espaços organizados por governos com o loby das grandes empressas interessadas não na defessa da natureza e dos territórios, mas na manutenção da exploração dos recursos naturais e no lucro desenfreado dos grandes empreendimentos. Para as participantes, é preciso denunciar e disputar esses espaços mostrando seu verdadeiro vínculo com o território, levando denúncias, mas também anunciando as práticas agroecológicas que já enfrentam a crise climática de forma concreta.
Sempre é consenso entre as mulheres que não basta falar de clima sem falar de racismo ambiental, patriarcado, colonialismo e violência contra os povos tradicionais. A defesa da agroecologia é também a defesa dos direitos das mulheres, da autonomia dos corpos e dos territórios.
“Se não tem feminismo, não há agroecologia”

Mais que um lema, ela sintetiza uma compreensão coletiva construída a partir da prática. As mulheres reafirmaram que a agroecologia precisa ser feminista, antirracista e popular. Precisa enfrentar as desigualdades dentro e fora das organizações e fortalecer a participação das mulheres nos espaços de decisão.
“Onde as mulheres pisam, nasce a resistência.” Cada roda de conversa, cada abraço e cada silêncio partilhado reafirmaram que a luta das mulheres é base para a transformação social e ambiental que queremos construir.
Organização coletiva e alianças
O Seminário de Mulheres da Agroecologia foi realizado pela ACESA e pelo coletivo Elas em Rede, com apoio da Rede de Agroecologia do Maranhão (RAMA) e da Grassroots International.
Para a RAMA, apoiar e fortalecer espaços como este é parte do compromisso com a defesa dos territórios, com a vida das mulheres e com a construção de uma agroecologia enraizada nas lutas populares.
O encontro deixa sementes lançadas. Sementes de articulação, de cuidado e de enfrentamento. Sementes que seguem germinando nos territórios, porque enquanto houver mulheres em luta, haverá resistência e haverá futuro.



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