Comissão da RAMA visita família atingida por deriva de agrotóxico em Bacabal (MA)
- 24 de fev.
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Na última quarta-feira (18/02), uma comissão da Rede de Agroecologia do Maranhão (RAMA), junto com a ACESA e do vice-presidente do Conselho Estadual dos Direitos Humanos, foi até o povoado Pau D’Arco do Igapó, zona rural de Bacabal, em apoio à família do agricultor familiar Joacy Oliveira, atingida por deriva de agrotóxico decorrente da pulverização por drone em uma propriedade vizinha, ocorrida no dia 22 de janeiro.
A visita teve como objetivo verificar in loco os danos provocados nas lavouras que garantem o sustento, avaliar o estado de saúde da família, inclusive a neta do seu Joacyr, uma adolescente de 13 anos que apresentou sintomas de intoxicação, e colher relatos detalhados sobre o caso.

Conforme constatado, toda a plantação foi comprometida. Parte das frutíferas, hortaliças e leguminosas já está morta, e culturas como macaxeira, mandioca, amendoim, acerola, limão, pepino, melancia e vinagreira apresentam sinais evidentes de contaminação, com amarelecimento de folhas, morte de tecidos vegetais, abortamento de flores e frutos. No local, ainda era possível sentir o cheiro do produto químico. Também foram observados danos em palmeiras de coco babaçu.
A equipe registrou ainda a preocupação com possíveis impactos ambientais, pois a área atingida é cercada e banhada por afluentes e igarapés, incluindo o Rio Bambu, que passa nas proximidades das plantações afetadas. O local é bastante frequentado por pescadores, que verificaram mudanças na vegetação e morte de peixes. A contaminação pode alcançar cursos d’água e comprometer o equilíbrio ecológico local, ampliando os efeitos para além da propriedade da família.

Além dos prejuízos materiais, os impactos à saúde e ao bem-estar emocional são significativos. A família relatou os sintomas associados à exposição e demonstrou abalo psicológico diante da perda da produção e da insegurança quanto à continuidade das atividades agrícolas.
A RAMA e seus parceiros acompanham o caso e prestam suporte nos desdobramentos da denúncia. Além da abertura de uma ação civil, foi protocolada denúncia formal junto ao Ministério Público Federal, à instância municipal competente e aos órgãos de fiscalização, como a AGED e a Superintendência Ministério da Agricultura e Pecuária Federal de Agricultura no Maranhão, dos quais se exige a devida apuração dos fatos e a responsabilização pelos danos à saúde, ao modo de vida de trabalhadores e ao meio ambiente.

O Maranhão é o 3º estado que mais consome veneno na Amazônia Legal. É o 2º do Nordeste que mais despeja veneno no MATOPIBA. Em novo levantamento feito pelo Mapa do Veneno, da RAMA, LEPENG e FETAEMA, mostra que até janeiro deste ano somam 142 comunidades impactadas pelos agrotóxicos. São diversas famílias impactadas na sua saúde e subsistência.
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